Creio que mais de 3 meses sem postar, mas sei lá por aqui é meio corrido, de qualquer jeito só estou por aqui a pedidos da mamãe...
[eu naõ fiz revisão do texto,então perdoem os erros]
Faz muito tempo que eu gostaria de falar do meu serviço comunitário, tudo que tenho aprendido com ele tem sido interessante e marcante muitas vezes.
Bem o nome do serviço é Aids Education(“ Educação sobre Aids”). O nosso trabalho é ir em escolas públicas* da Suazilândia e discutir com o alunos do form 2(sexta série em teoria no Brasil) sobre aids,hiv,sexo,relacionamentos,”taboos”.
Eu escolhi aids education porque gostei muito da proposta, e como foi na segunda ou terceira semana daqui não entendi direito o que era,então depois da aprensentação fui até a supervisora do curso e pedi para re-explicar, ela foi tão gentil e gostei tanto da proposta que senti que já tinha decidido meu serviço comunitário.
O primeiro trimestre só foi treinamento, aprendemos tudo o que iríamos fazer,e no segundo trimestre começamos ir na escolas.
Nós vamos na mesma escola duas vezes por semana e trabalhamos com a mesma turma,então são duas sessões por escola(o que é muito pouco por sinal). Nós somos normamente grupo de 4 pessoas, os grupos são fixo o meu grupo sou eu, Tattiana(EUA),Sips(Suazilândia) and Moya(África do Sul).
Bem como disse nova supervisora(Pipa Davis-África do Sul) nós não vamos para as escolas
pra trazer a verdade absoluta,nosso maior função é fazer a molecada falar, as famílias aqui são bem conversadoras e professores na maioria também.Os alunos são adolescentes naquela puta fase truculenta sem ninguém pra conversar de todas as dúvidas que aparecem,todas as encanações as curiosidades sobre sexo e vocês podem imaginar mais porque passam ou passaram por isso. Essa questão da família é tão engraçada, que sempre que posso eu pergunto como é discutir isso com o pais,a resposta é sempre a mesma, “NO WAY”(sem chance),não existe esse tipo de discussão,umas das coisas engraçadas foi quando um dos gajos(meninos) falou que quando aparecem cenas de sexo ou algo assim mais quente na tv ou em filmes,ele sempre preciso ir beber água na mesma hora,ou por algo pra tampar a vista, o “taboo” é tão grande que os pais e ele não sentem bem,fica aquela situação sem graça. Claro pra “sacanear” eles eu falo para eles perguntarem pros seus pais como eles foram feitos.
O legal de ir na escolas é como nós na maioria estrangeiros podemos aprender mais da cultura,do dia deles e afins. O uniforme deles é bem formal,parece que com que nossos pais usavam.
Costuma ser bem divertido ir nas escolas,tenho aprendido pacas.No geral os meninos são mais abertos pra falar(nos padrões daqui),as garotas muito mais fechadas.O assunto pra ambos o sexos é tão complicado que ás vezes nem olhar na meu rosto eles conseguem de tanta vergonha.E normalmente com as garotas é pior,e elas são sempre minoria.(a condição da mulher nessa país é bem complicada).
Eu me sinto realmente fazendo algo útil com esse trampo,pra vocês terem idéia basicamente a cada 2 pessoas na Suazilândia 1 deve ter o vírus HIV. Muita gente aqui está lutando pra mudar isso, e eu me sinto parte dessa batalha,esse foi o primeiro ano que foi constatado uma redução do número de pessoas infectadas. Vocês podem ver que o negócio é pauleira,é muito importante esclarecer os os modos de transmissão de HIV e explicar as proteções e tal.
Normalmente mostramos como usar camisinha e tal, e temos um super pênis pra isso, claro que racham até não poder mais, vários tem medo de pegar na camisinha,tem receio,nojo por causa do lubrificante.
Nós sempre recolhemos perguntas de qualquer tipo depois da primeira sessão,as questões são interessantes é uma das parte que mais me marca.
Temos pergunta desde como é o primeiro(so sweet this one) até qual é sensação do orgasmo que por sinal eu que respondi ambas e claro com mil risadas da molecada depois.
Uma das perguntas que mais me marcou e acredito profundamente que nunca irei esquecer foi quando uma das meninas pois na pergunta se era de confiança contar pra uma de suas amigas que ela já tinha sido violentada sexualmente.Nossa, vcs não tem noção como essa pergunta me fez mal,realmente mexeu cmg,poxa só me pergunto o porquê e ainda continuo sem reposta. E esse tipo de questão apareceu novamente alguma garata contando que tinha sido estuprada também. Cara eu fico maluco com essas coisas,
eu só queria entender porque. E ainda o pior que muitas moças são violentadas e se acham culpadas por isso,e muitas acabam se matando de tanta vergonha e culpa. Uma mulher não mais virgem aqui,independente de como for perde seu “valor”,e muitos homens inclusive mulheres põe a culpa nas próprias mulheres por terem sido estupradas,não pensa que é só aqui não,ou só na África que isso acontece ,acontece de montão no Brasil também.
Ouvi coisas maulucas também como se é veradade que quando a mulher não é mais virgem começam aparecer buracos na perna.E verdade que quando a mulher não é mais virgem ela anda com a pernas como se tivesse machucada.Voces podem ver que são perguntas bem inocentes de algo pra eles sureal. Aqui na África a infectção po HIV é maluca,enorme e assustadora, o que posso ver pela minha experiência pessoal que eles buscam soluções as vezes de emergência que acabam tendo outro sentido, a propaganda dizendo que sexo pode esperar é maluca,tem cartazes de vários tipo como. “ Você está preparado pra isso e assumir as consequências?!” Eu entendo apesar de não concordar mas isso acaba assusta os adolescentes que ao meu ver evitam evitam de ter relaçõe e quando tem(vocês sem sabe o quanto somos impulsivos quando dá na cabeça já é tarde)fazem tudo errado,daí sem camisinha,daí engravida,fode a vida,pega HIV mas sei lá,é complicado julgar realmente a situação é problemática.
O negócio do HIV é tão complicado que é do meu conhecimento que aqui no meu colégio nós temos alunos infectados,claro que é algo não divulgado que eu guardo pra mim,só divido aqui com vcs por ninguém daqui tem acesso a esse blog. Até vivendo mudou algumas coisas,outro dia fui fazer o exame pra saber meu status de HIV,poxa preciso confessar que meu fiquei receioso de fazer não por nada,mas tenho visto e estudado como é complicado que entendo melhor agora como o simples teste te assusta que um positivo ou negativo muda toda sua vida,eu não tinha o porque de me preoucupar,não era a primeira vez que fazia mas senti algo que defino como pressão, eu parei e pensei “ caralho como essa porra pode mudar sua vida”. Tem pessoas que morrem aqui por consequência da Aids mas não fazem o teste.
Eu ouvi muitos da meninas que disseram que se elas contraiem hiv elas se matariam,e não foram poucas que me disseram isso.
Coisas legais que acontecem no trabalho é que várias pessoas vem pedir seu celular e tal,super engraçado,claro que a maioria que pedem meu celular são garotas,por sinal só me lembro de um garato pedindo e ele foi tão natural,mas o coitado se esqueceu do sistema opressor de escola,os caras zuaram ele até,mas eu tentei remediar assim falar que não tinha problema que ele que era esperto e vcs bobões que estão perdendo de terem meu celular. Tem uma menina que pegou meu celular e me ligou várias vezes mas sempre que eu atendo ela desliga.
Bem serviço comunitário tem me mostrado muito coisa daqui,tenho ganhado muito mas muito mesmo, e passar duas horas com eles por semana na mairia das vezes um imenso prazer,eles nem sabem como se sinto sortuda por eles me mostrarem tanta coisa.
ÁFRICA I SALUTE YOU!
